Roberto Carlos Braga (Cachoeiro de Itapemirim, 19 de abril de 1941) é um cantor e compositor brasileiro. É o maior vendedor de discos da América Latina e o cantor brasileiro que mais vendeu discos no mundo. Em 45 anos de carreira, completados em 2007, Roberto vendeu mais de 100 milhões de discos no mundo.
Nascido no interior do Espírito Santo, Roberto Carlos é o quarto e último filho do relojoeiro Robertino Braga e da costureira Dona Laura Moreira Braga. A família Braga morava no bairro do Recanto, numa casa modesta no alto de uma ladeira e os demais membros da família eram: Lauro Roberto Braga, Carlos Alberto Braga e Norma Moreira Braga, que Roberto Carlos carinhosamente chamava de Norminha. Apelidado na infância como “Zunga”, ainda criança aprendeu a tocar violão e piano - a princípio com sua mãe e, posteriormente, no Conservatório Musical de Cachoeiro do Itapemirim.
Incentivado pela mãe, Roberto Carlos cantou pela primeira vez em um programa infantil na Rádio Cachoeiro de Itapemirim, prefixo ZYL-9, de sua cidade, aos nove anos. Ele se apresentou cantando o bolero “Amor y más amor”; levou o primeiro lugar e ganhou um punhado de balas. Mais dois domingos sucessivos e o Zunguinha ganhou o primeiro lugar. Então, tornou-se presença assídua do programa todos os domingos.
Nessa época, sofreu um terrível acidente de trem que feriu gravemente sua perna, que foi amputada, dando lugar a uma perna mecânica que usa até hoje. Seus pais gostariam que ele fosse médico, mas em nenhum momento deixaram de incentivar a vocação do filho.
Mais tarde o garoto Roberto Carlos passou a percorrer cerca de 4 km para ter aulas de violão com o professor Zé Nogueira, que fazia parte do regional da “Rádio Cachoeiro de Itapemirim”, a ZYL-9. Com seu violão de sete cordas, Zé Nogueira foi o responsável pelo acompanhamento de Roberto Carlos no primeiro dia de sua apresentação na rádio, pois os demais componentes do regional, naquele dia, estavam todos de folga. Esse violão, inclusive, foi presenteado ao Roberto Carlos quando certa vez, já famoso, ele visitou sua cidade natal.
Na segunda metade dos anos cinqüenta, Roberto Carlos mudou-se para Niterói (RJ). Seguindo muitos adolescentes da época, ele entrou em contato com um novo ritmo musical, o Rock, e passou a ouvir Elvis Presley, Little Richard, Gene Vincent e Chuck Berry.
Em 1957, Arlênio Lívio, um colega de escola, levou Roberto Carlos para conhecer um grupo de amigos que se reunia na Rua do Matoso, no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro. Lá conheceu Sebastião (Tim) Maia, Edson Trindade, José Roberto “China” e Wellington. Ele participou com Tim Maia, Arlênio, Trindade e Wellington no conjunto musical chamado “The Sputnicks”, de Tim Maia. “The Sputnicks” se apresentava constantemente no programa de televisão comandado por Carlos Imperial, “Clube do Rock”, na TV Tupi. Certa vez, Roberto Carlos chamou Carlos Imperial e disse que sabia imitar o Elvis Presley. Satisfeito com o resultado da imitação, Carlos Imperial convidou Roberto Carlos para que no próximo programa participasse imitando o Elvis Presley. Mas, surgiu um impasse: Tim Maia dono do conjunto “The Sputnicks” não admitiu que um integrante de seu conjunto se apresentasse sozinho e fez um ultimato. Se Roberto Carlos participasse sozinho no programa do Imperial, ele seria expulso do seu conjunto, o que de fato aconteceu.
Vendo o sucesso de Roberto Carlos na imitação do Elvis, Tim Maia foi conversar com Carlos Imperial dizendo que também sabia imitar o Little Richard. Sendo aprovado, Tim Maia também resolveu abandonar o conjunto “The Sputnicks”. Então, Roberto Carlos e Tim Maia eram apresentados no programa do Carlos Imperial, como o “Elvis Presley brasileiro” e o “Little Richard brasileiro”, respectivamente.
Certa vez, Roberto Carlos precisou da letra de “Hound Dog”. Através de amigos em comum, Roberto veio a conhecer Erasmo Esteves, mais conhecido pelo seu nome artístico de Erasmo Carlos, que era um grande fã de Elvis Presley. Desta forma, Roberto Carlos conheceu aquele que se tornaria seu maior parceiro musical. Desse encontro, Erasmo recebe o convite de Roberto Carlos para aparecer na TV e então começa a participar pelos bastidores do mundo musical. Ainda não compunha, não tocava e nem cantava.
Passado algum tempo os outros integrantes que restaram do conjunto “The Sputnicks”, para não perderem o espaço que tinham conquistado no programa do Carlos Imperial, resolveram acrescentar novos integrantes ao conjunto nos lugares de Roberto Carlos e Tim Maia. Abandonaram definitivamente o conjunto “The Sputnicks” e criaram um novo conjunto chamado “The Snacks”. Um dos novos integrantes desse conjunto era exatamente o mais recente secretário particular de Carlos Imperial, o Erasmo Carlos, que havia substituído Wilson Simonal dessa função de secretário, em decorrência do Wilson Simonal ter iniciado sua carreira artística estourando nas paradas de sucessos.
Roberto Carlos jamais participou da formação do conjunto “The Snacks”. Algumas vezes o conjunto “The Snacks” o acompanhou em algumas de suas apresentações na televisão. No final daquela década, Roberto Carlos gravou alguns compactos e iniciava sua carreira oficialmente.
Em 1959, Roberto Carlos lançou “João e Maria/Fora do Tom”, um compacto simples. Dois anos depois, ele lançava seu primeiro álbum, ””Louco por Você”. Imperial compôs boa parte das canções deste disco. O LP não teve sucesso, e hoje Roberto Carlos renega este LP.
Mas ele insistiu em investir na música jovem da época, o rock, e em 1962 lançou “Splish Splash”. Com o amigo Erasmo, Roberto compunha versões de hits do álbum e músicas próprias como “Splish Splash” e “Parei na contramão”, que se tornaram grandes sucessos. No ano seguinte, o cantor novamente esteve nas paradas de sucesso com o LP “É Proibido Fumar”, onde, além da faixa-título, se destacou a canção “O Calhambeque”. Assim nascia a Jovem Guarda. Roberto Carlos tornou-se um dos principais músicos do primeiro movimento de rock feito no Brasil.
Em 1965 Roberto Carlos começou a apresentar o programa Jovem Guarda, da TV Record, ao lado de Erasmo Carlos e Wanderléa. O programa popularizou ainda mais o movimento e o cantor, que se tornou um dos primeiros ídolos jovens da cultura brasileira. A superexposição na mídia fez com que o programa terminasse em 1968.
Além da apresentação do programa e dos álbuns com canções no ritmo iê-iê-iê, Roberto participou de alguns festivais de Música Popular Brasileira. Em 1967, ele recebeu o prêmio de melhor cantor, e a canção que ele defendeu, Maria, carnaval e cinzas, de Luís Carlos Paraná, ficou em quinto lugar. Algumas pessoas hostilizaram a presença de um ícone da Jovem Guarda - aparentemente alienado sob a ótica da época, e que tem ranço até os dias de hoje com relação à sua obra.
Em 1968, Roberto Carlos lançou o disco “O Inimitável”, no qual já mostrava um novo rumo que tomaria sua carreira. O LP tem algumas canções já influenciadas pelo soul, como “Se você pensa” e até uma versão intimista para “Madrasta”, de Renato Teixeira e Beto Ruschell (que ele defendeu num festival), além de baladas como “Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo”. Ainda em 1968, ele venceu o Festival de Sanremo, defendendo a canção “Canzone per te”, de Sergio Endrigo e Sergio Bardotti. Neste período, ele já estava casado com Cleonice Rossi, mãe de seus filhos Roberto Carlos Segundo (o Segundinho, mais conhecido como Dudu Braga), e Luciana. O casamento se desfez em 1978.
A década de 1970 marcou o fim da Jovem Guarda e a mudança radical no estilo musical de Roberto Carlos, que passou a compôr canções mais românticas e com temas religiosos. Os primeiros anos foram marcados por esta transição. Dentre as músicas mais representativas desta época estão “Jesus Cristo” (que definitivamente colocava a temática religiosa no trabalho do artista), “120…150…200 km por hora”, “Detalhes” (sua canção mais popular), “Debaixo dos caracóis dos seus cabelos” (uma homenagem ao então exilado Caetano Veloso), “De Tanto Amor”, “Amada amante” e “Todos estão surdos”.
Com Proposta, deu-se início a uma série de canções tendo como tema o amor - Seu corpo (1975), Os seus botões (1976), Cavalgada (1977), Café da manhã (1978), Cama e mesa (1981), dentre outras. Nesta época, ele já tinha a tradição de lançar um disco anual no fim do ano para o mercado brasileiro, e no início do ano seguinte, lançar um disco trazendo as mesmas canções vertidas ao castelhano, para o mercado hispanófono.
Em 1974 foi exibido o seu primeiro especial na Rede Globo, inaugurando uma tradição que permanece até os dias de hoje - só foi interrompida em 1999. Os anos oitenta marcaram a quebra de recordes de vendagem e o surgimento de muitos hits. O de maior sucesso é Emoções, de 1981. Outras seriam Caminhoneiro (1984), Verde e amarelo (1985) e Amazônia (1989). Nesta década, ele esteve casado com a atriz Myriam Rios, para quem escreveu canções como O côncavo e o convexo (1983) e A atriz (1985).
A década de 1990 trouxe algumas peculiaridades. As homenagens às mulheres “comuns” - baixinhas, gordinhas, de óculos e acima de 40 anos e a constante presença de canções sobre religiosidade. Nesta época, ele estava casado com a pedagoga Maria Rita, que em 1999 faleceu em função de um câncer na região pélvica.
A doença de Maria Rita fez com que Roberto Carlos interrompesse a sua carreira. Pela primeira vez desde 1963, ele não lançou um álbum anual e não fez o especial de fim de ano na Rede Globo. Os problemas começaram a surgir em 1998, e o disco daquele ano teve apenas quatro faixas inéditas - as outras seis foram versões ao vivo de sucessos anteriores.
Em 2000, Roberto voltou a lançar um disco. Amor sem limite mesclou faixas inéditas e gravações antigas de canções dele em homenagem à esposa. Nestas canções, Roberto Carlos não teve a co-autoria de Erasmo Carlos. Roberto a achava muito pessoais para dividir com alguém. O ano de 2001 ficou marcado pelo lançamento do Acústico MTV (em CD e DVD) do cantor. Foram 14 releituras em versão acústica, e participação dos músicos Milton Guedes, Tony Bellotto e Samuel Rosa. O show foi gravado em maio, mas uma briga entre a MTV e a Rede Globo, aliado ao perfeccionismo de Roberto Carlos fez com que o disco se atrasasse e fosse lançado apenas em dezembro daquele ano.
Depois de lançar um CD tendo gravações ao vivo de seu show no Aterro do Flamengo (RJ) em 2002, em 2003 Roberto lançou um álbum de inéditas. Pra sempre trouxe canções dedicadas a Maria Rita - incluindo Acróstico, que forma a frase Maria Rita meu amor - além do blues O Cadillac e o rap Seres Humanos (que havia sido lançado como bônus no disco de 2002).
No ano de 2004 foi lançado o DVD (em opção também de DVD+CD) do espetáculo Pra sempre ao vivo no Pacaembu. Dezembro também ficou marcado pelo início do lançamento das caixas que, por década, reúnem seus discos em formato mini-LP e sonoridade remasterizada. O ano seguinte trouxe um novo disco, mesclando gravações de canções de sua autoria com Erasmo mas nunca gravadas anteriormente por ele (A volta), gravações de canções sertanejas (?ndia e Coração sertanejo) e até uma canção do repertório de Elvis Presley (Loving you). Ele ainda cantou uma canção escrita com Erasmo com a participação da dupla Chitãozinho & Xororó - a guarânia Arrasta uma cadeira
Em 27 de abril de 2007, após longa audiência no Forum Criminal da Barra Funda, na cidade de São Paulo, foi determinado o recolhimento de todos os exemplares do livro que contém uma biografia não autorizada do cantor, denominado “Roberto Carlos em Detalhes”, escrito pelo autor Paulo César de Araújo e editado pela Editora Planeta. Os 10.700 exemplares do livro foram colocados num imóvel de propriedade do cantor, na cidade de Santo André, na Grande São Paulo, onde deverão ser reciclados em benefício de uma entidade em que o cantor ajuda ou, em último caso, destruídos.
Fonte: Wikipedia